Postagens

RECOMENDAÇÃO PARA HOJE

Imagem
  DA BELEZA DO LINHO À FEIURA DAS PESSOAS Dizem que fiar o linho é uma arte complicada, ou seja, não é tarefa simples fazer fios delicados com as mãos a partir de um bolo arrepiado de fibras, para que sejam trançados com esmero até se transformarem num valioso tecido. Fiar o linho fino, então, é para poucos. Em Portugal, usava-se a expressão fiar fino , como forma de dizer que as coisas iam sair do terreno da brincadeira para o campo da seriedade. - Menino, se chumbares o ano terás de fiar fino comigo ! Assim ameaçavam as mães quando os rebentos ameaçavam tomar bomba na escola. Não sei se a expressão ainda é usada. Eu, pelo menos, nunca a ouvi, mas a encontrei num livro de lendas que ando a visitar. Uma lenda grega diz que os deuses do Olimpo, quando obrigados por seres ainda mais poderosos, eram capazes de fiar o linho bem fino, além dos raríssimos artesãos mortais que dominavam a arte. Como tudo o que circula por anos a fio (fio, aqui, bem oportuno), a frase fiar fi...
Imagem
    CANIBALISMO: FICÇÃO E REALIDADE A série espanhola “A Sociedade da Neve” (Espanha, 2023) é um primor em termos de roteiro, atores, direção, tudo. Não sou especialista, embora adore cinema, mas posso dizer que essa série valeu muito a pena ver. Eu devia ter uns 11 anos, em 1972, quando vi na TV as notícias sobre o voo do Uruguai para o Chile, que caiu numa geleira na Cordilheira dos Andes, levando a bordo um time de rugby. A série aborda a luta dos sobreviventes pela vida. É uma história trágica, não recomendada para fracos do estômago ou do coração. Falo desse assunto porque que os sobreviventes praticaram canibalismo até serem resgatados. Se você ainda não viu vale a pena ver, especialmente pelos detalhes impressionantes proporcionados pela excelente direção pela interpretação magistral dos atores. Não estou dando spoiler , o fato é real e está arquivado nos jornais, rádios e televisões do mundo inteiro. Canibalismo é um assunto polêmico, mexe com profun...
Imagem
  Tempus fugit Essa é uma história sobre o tempo, ou melhor, da sua contagem e como ela nos afeta durante a transição entre períodos, especialmente os de um ano. Muitos de nós vimos a passagem do século, isso sim, uma grande coisa, mas na falta de um século novo, vamos nos contentando com a passagem do ano, que já está de bom tamanho. Cá chegamos no meio da tradicional enxurrada de remorsos, promessas e listas do que não vamos fazer nunca mais. Coisa boa, essa paradinha para pensar. Todavia, há quem prometa demais, como se o ano nunca mais acabasse. As listas começam com a dieta, claro, afinal acabamos de sair de uma orgia alimentar. Depois seguem: curso de inglês, academia, viagem, reatar uma amizade, visitar o tio velho, parar de fumar, beber e deixar de falar mal dos outros. Aliás, parar de beber talvez ajude na última promessa, embora haja quem não precise de álcool para chicotear inimigos e até amigos com a língua. Pensamos que o ano novo inteirinho para nós é...
Imagem
  GENTE MÁ NO MUNDO É MATO   A história de hoje é cheia de surpresas. Era uma vez um casal que tinha três filhas, uma delas adolescente.   O pai era rico, a família morava na cidade e tinha uma fazenda no campo. Todos os verões a família viajava para o campo.   Numa dessas ocasiões, a mais velha quis ficar um pouco mais, sob a alegação de aprender a cozinhar com a governanta, mas o real motivo era um jovem por quem se apaixonou e com quem se encontrava às escondidas.   Tendo a permissão dos pais, a jovem foi contar à governanta que iria ficar. Enquanto conversavam, a menina espetou o dedo numa roca de fiar.   Um fiapo de madeira entrou debaixo da unha da jovem, que imediatamente desmaiou, caindo num sono profundo do qual a governanta não conseguiu acordá-la.   A pobre senhora, preocupada, tentou de tudo, inclusive ervas aromáticas, mas nada.   Com medo de que alguém visse a menina naquele estado, a mulher conseguiu levá...
Imagem
  É FEIO, MAS É MEU.   Há quem diga que é um serviço complicado dar nomes às cidades, vilas, aldeias, bairros e freguesias. Países majoritariamente católicos, como Portugal e Brasil, abusam dos nomes de santos e santas, mas haja canonizados para tanto logradouro. Aí acabam homenageando autoridades, políticos, nobres, rios que cortam os lugarejos ou os incidentes topográficos mais inusitados das proximidades. Fazendo um esforço louvável para evitar repetições, os inventores de nomes acabam enxugando gelo, já que não faltam lugares diferentes ostentando nomes iguais e sempre aparecem novos cantos carecendo identificação. Acontece que certos nomes são tão esquisitos que chego a pensar que quem os escolheu eram gozadores metidos a sérios. Quem sabe um conselho de gozadores? Provavelmente não é nada disso e esses nomes se firmaram pelo uso de um ponto de referência ou de um fato corriqueiro, que com o passar do tempo ficou insólito e virou motivo para ironia e perturbaç...