Deu ruim: foi mexer com o sagrado e teve um azar dos diabos
DEU RUIM! MEXEU COM O SANTO E TEVE UM AZAR DOS DIABOS
Cheguei a Portugal há um bom tempo. Morei em Odivelas, onde existe uma localidade que se chama Senhor Roubado, conhecida estação do metrô de Lisboa.
Os vereadores não fariam outra coisa, se é que fazem.
Claro, como morador antigo de São
Paulo, imaginei que a estação tinha esse nome porque um senhor fora ali
assaltado.
Talvez algum nobre tenha sido vítima de salteadores, lá na Idade Média.
Quem me conhece sabe o tamanho da
minha curiosidade, que só não é menor que a minha imaginação.
Fui descobrir porque alguém colocaria
um nome daqueles num local tão simpático.
Semanas depois, alguns moradores do local acharam as peças sacras enterradas perto de um mosteiro, ao lado da igreja.
Não demorou muito e encontraram o larápio. Lá estava ele, furtando umas galinhas no mesmo mosteiro. Era um conhecido andarilho da região, que vivia à procura do que comer.
Fico arrepiado só de imaginar as técnicas usadas na época para arrancar a confissão.
Antônio Ferreira era o nome do esfomeado que achava que peças sacras, galinhas e hóstias tinham o mesmo valor.
O grande azar de Ferreira foi que, entre as peças surrupiadas, havia um Crucifixo, provavelmente bento e o Santo Ofício não titubeou: condenou o blasfemo à fogueira, com direito a público para aplaudir.
Devido à repercussão do caso, Lisboa nomeou o local como Senhor Roubado. Senhor, no caso, é o Senhor Jesus, não um mero mortal de quem teriam batido a carteira.
O monumento a que me referi no começo é o padrão do Senhor Roubado, o marco que eu procurava e nunca ia encontrar se não fosse buscar a história.
Coitado do Antônio Ferreira, foi mexer com coisas santas e teve um azar dos diabos.

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